“Fui demitida da Rádio Universidade porque sou mãe”, desabafa jornalista

A jornalista Poliana Ribeiro divulgou em sua página no Facebook uma nota de repúdio à direção da Rádio Universidade FM. Ela diz ter sido demitida um mês após retornar de licença-maternidade.

Ela acusa o professor José Arnold Filho de “preconceito em relação à mulher” e diz que foi demitir “por ser mãe”.

Leia abaixo a íntegra do desabafo.

Nota de Repúdio

Há 12 anos entrei na área de Comunicação com o sonho de tentar mudar um pouco o mundo, ajudar a escrever a história e contribuir para transformações, mesmo que aparentemente insignificantes. Ingressei no curso de Comunicação Social, habilitação Jornalismo, na Universidade Federal do Maranhão, com a motivação da grande maioria dos meus colegas. Ainda nos meus primeiros períodos, fiz seleção de estágio na Rádio Universidade, com a esperança de aprender a exercer a profissão que escolhi para a minha vida.

Durante o meu período de estágio, primei pela responsabilidade, assiduidade e esmero no meu trabalho diário, e, graças a isso, consegui construir uma trajetória da qual hoje me orgulho. Fui chamada a retornar à Rádio Universidade, 10 anos depois, dessa vez como coordenadora do Núcleo de Jornalismo, o que prova que consegui deixar minha marca naquele veículo.

Pois, neste momento em que vivo uma grande transformação na minha vida pessoal, que em nada afeta a minha vida profissional, recebo a minha demissão, um mês após o meu retorno da licença-maternidade. A jornada dupla de trabalho da mulher, que tenta equilibrar todos os seus papéis – no meu caso o de mãe e jornalista -, uma conquista de anos, resultado de muita luta, foi utilizada como motivação para que o senhor José Arnold Filho, atual diretor da Rádio Universidade viesse a dispensar os meus trabalhos na Rádio Universidade FM.

Desde que entrei na Rádio Universidade, tentei desempenhar da melhor maneira a minha função, com o mesmo comprometimento que caracteriza a minha trajetória profissional. Propus a criação do Jornal Rádio Universidade, que está há dois anos no ar, além de ter acompanhado o trabalho dos estagiários do Núcleo e realizado diversas coberturas jornalísticas, entre as quais a visita do presidente Lula no município de Bacabeira, em 2010, e as Eleições para Governo do Estado. Na ocasião, fiz flashes ao vivo para a Rádio Câmara de Brasília, além de ter, em outras oportunidades, gravado boletins quase diários para a Rádio Ufscar, de São Paulo.

Por tudo isso, vejo como injustificada a minha demissão da Rádio Universidade, na certeza de que desenvolvi o meu trabalho com esmero, mesmo após ter me tornado mãe. Não faltei ao meu trabalho nenhum dia no mês de março de 2012, tendo ido trabalhar, inclusive doente. Nunca me neguei a fazer nenhum tipo de cobertura jornalística, apenas questionei o fato de estar sendo cobrada para trabalhar fora do meu horário de trabalho, única e exclusivamente para “demonstrar serviço” após passar quatro meses cuidando da minha filha.

Levo a público o meu repúdio à pessoa do professor José Arnold Filho, que demonstrou por diversas vezes o seu preconceito em relação à mulher, principalmente as que se tornaram mães. Que fique claro que estas não são acusações infundadas, pois tenho provas do que estou dizendo e já estou buscando todos os meus direitos.

Em suma, fui demitida da Rádio Universidade porque agora sou mãe e, na visão do senhor José Arnold Filho, não conseguiria dar conta do meu trabalho como antes, o que configura preconceito e discriminação. Que fique claro que o posicionamento desta pessoa não traduz o corpo da Rádio Universidade, veículo formado por pessoas batalhadoras, por quem nutro muito carinho.

Como jornalista, mulher e mãe, convoco os amigos da imprensa a divulgar esta nota de repúdio nos meios que dispuserem para que este tipo de situação não seja mais tolerado. Aproveito para agradecer o apoio que tenho recebido e garantir que, em breve, estarei recolocada no mercado de trabalho.

Atenciosamente,

Poliana Marta Ribeiro de Abreu
Jornalista – DRT 912


14 pensou em ““Fui demitida da Rádio Universidade porque sou mãe”, desabafa jornalista

  1. OLÁ QUERIA REALMENTE ISSO É UM PRECONCEITO DESSE IDIOTA , MAS VC JÁ É UMA GUERREIRA, POR TER CONSEGUIDO SEUS OBJETIVO COMO JORNALISTA.OUTRA COISA DEUS TEM COISA MELHOR PRA VC.
    EU SOU MÃE MINHA FILHA TEM 10MESES , E COM 3 MESES COMERCIE A TRABALHAR POIS NÃO TINHA NINGUÉM PRA ME SUBSTITUIR NA EMPRESA O MEU CHEFE FALOU Q EU PODIA LEVAR A MINHA FILHA E FOI BEM TRANQUILO POIS EXCECIA

  2. vc é uma guerreira…e o que realmente importa nesse momento é essa dadiva de deus em sua vida , fiquei encantada com a foto dela te acariciando é lindo e infeliz e esse ser que jamais teve um carinho tão puro e verdadeiro e vc querida pode bater no peito e gritar : ”EU SOU ABENÇOADA POR DEUS” pois vc so ganhou não perdeu nada ,ele sim perdeu !

  3. Entendo sua revolta mas lendo seu texto nao pude deixar de desejar profundamente que voce tenha provas inqueationaveis do que diz, pois se eu fosse o professor que lhe demitiu, ao ler este texto faria nada alem de imediatamente ligar para o meu advogado para iniciar um processo contra voce por calunia e difamacao. Sem contar que como dono de uma empresa futuramente teria receio em lhe contratar com medo de lhe demitir no futuro por uma razao x, ser interpretada como razao y e ver meu nome e o nome da minha empresa associados a um texto desses…. Boa sorte na caminhada aos direitos que foram tirados atraves do que voce acredita ser uma injustica! Um abraco

    • Entendo seu questionamento Marisa, mas todos tem liberdade de expressar sua opinião e o senhor citado no texto é um retrógrado, que só está impedindo o crescimento da Rádio Unirsidade, que por sinal é um excelente veículo de comunicação, que tem ótimos profissionais, que lutam paar torná-la ainda melhor, porém há um diretor que não consegue perceber isso. E garanto que quem contratar a Poliana e tiver senso de qualidade e competência, jamais vai se arrepender. Digo tudo isso com conheciento de causa de ambos os lados: do Arnold e da Poliana.
      Abraços…

  4. No site da Rádio Universidade de São Luiz tem a seguinte notas de esclarecimento assinada pela direção:

    “A Rádio Universidade FM, tendo em vista nota publicada nas redes sociais pela jornalista Poliana Marta Ribeiro de Abreu, acerca de sua dispensa dos quadros da emissora, esclarece o que se segue:

    A demissão foi feita em obediência a todos os preceitos da legislação trabalhista e não foi causada por quaisquer preconceitos, contrariamente ao que alega a jornalista.

    A direção da Rádio, ao proceder à dispensa, o fez não somente nos trâmites legais, mas especialmente motivada por incompatibilidades relativas ao cumprimento da demanda das tarefas do Núcleo de Jornalismo. É importante considerar que o cargo que a profissional exercia, Coordenadora do Núcleo de Jornalismo, de acordo com o Regimento da emissora, é de livre contratação e demissão do gestor.

    Esclarece, finalmente, que a Rádio Universidade sempre prezou por um jornalismo presente e de qualidade, porque é o que a sociedade exige e espera, objetivo que sempre pautou a direção em suas decisões.

    São Luís, 5 de abril de 2012.

    A direção”

    O link é: http://www.universidadefm.ufma.br/?p=11367

  5. Por quanto tempo mais, as mulheres seram alvos desse tipo de preconceito, como se fossemos incapazes, de sermos profissionais e mães.
    Quem tiver contato com ela, por favor repasse, pois tem direito a 3 meses de instabilidade, ou seja, a empresa deveria ficar pagando a ela o salário estando em sua residencia, sem está na empresa. Procuri a justiça e lute pelos seus direitos.

  6. Lamentável! Poliana, também sou mãe e pedi exoneraçã de meu emprego no IFMA por obstáculos impostos pela administração para que eu conciliasse profissão e maternidade. Estou me deparando, depois que senti na pele este constrangimento, com vários relatos de amigas que vêm deixando o emprego ou sofrendo com a permanência nele por esta visão obtusa, machista, produtivista de ser humano e da maternidade. Não dá mais pra ficar só sofrendo calada, aceitando o consolo de que apesar de tudo, ainda somos guerreiras. Providências são urgentes para que respeitem qualquer forma de expressão da vida humana, inclusive a da mulher-mãe.

    Força e lembrando o velho barão vermelho “declare guerra a quem finge te amar…a vida está ruim na aldeia, chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia”.
    Renata Cordeiro

  7. e o departamento de comunicação com a coordenação? vão ficar calados pra essa injustiça? e os alunos e professores não vão fazer nada? e os servidores da rádio vão aceitar? assim como foi poliana pode ser vc também

  8. nossa poliana é lamentavel tudo q aconteceu,tbem sou mãe e faia a mesma coisa que vc,va em frente amiga boa sorte.

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