Vazamento do ‘The Intercept’ é duro golpe em Moro e Dallagnol, mas não inocenta Lula

(Foto: Ricardo Stuckert)

O Brasil foi sacudido no domingo (9) pela notícia de que o site The Intercept vazou “discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava Jato, coordenada pelo procurador renomado Deltan Dallagnol, em colaboração com o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, celebrado a nível mundial” (reveja).

O caso gerou imediata repercussão e acirrou (ainda mais, se isso é possível) a polaridade entre direita e esquerda.

Os primeiros concordam com Moro, de que não há nada de grave nos vazamentos, não há ilegalidade. Os segundos pedem a imediata soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso após condenação no no bojo da Lava Jato.

A coisa toda não é bem assim, contudo.

Vamos por partes…

Em primeiro lugar, ao contrário do que apontam Sergio Moro e seus apoiadores, as conversas divulgadas são graves, sim. Gravíssimas!

Moro era o juiz da Lava Jato quando elas ocorreram. Assim, para tratar com Dallagnol – ou qualquer membro do Ministério Público Federal (MPF) – de assuntos das ações decorrentes da operação policial, o deveria fazer dentro do processo, de forma pública e transparente. Não por mensagens privadas.

Quebrou-se aí o que o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, chamou de “equidistância” entre jugador e acusador.

Esse é um ponto. Uma preliminar, como se diz em processos judiciais.

Liberdade?

O segundo ponto diz respeito ao mérito da questão.

Se é verdade que Moro e Dallagnol romperam uma barreira imposta pela lei, pela Constituição até, também é verdade, pelo menos até agora, de tudo o que já foi vazado, que não se vislumbra dos diálogos nada parecido com falsificação de provas, ou coisa parecida.

Não é prudente dizer, portanto, que Lula pode ser considerado inocente e deve ser posto em liberdade. Tudo o que foi produzido nos autos do processo que o levou à prisão segue válido. Isso é incontestável.

É claro que seus aliados utilizarão o fato politicamente. Faz parte do jogo. Mas, em verdade, o único pedido coerente que poderiam fazer seria o de um novo julgamento. Mas, com os mesmos fatos, as mesmas provas, é certo que ex-presidente seria novamente condenado.

Ética

Um terceiro ponto a ser tratado diz respeito ao vazamento em si.

Há quem defenda que o site The Intercept foi antiético ao divulgar mensagens privadas, obtidas por meio de um ataque hacker a algum dispositivo de membros da Lava Jato.

Disso eu discordo frontalmente.

Se alguém invadiu um aparelho celular, um computador ou um tablet, que seja punido por isso. O que o The Intercept fez foi jornalismo. Se os profissionais que receberam a informação, mesmo que de fonte anônima, checaram os dados enviados e se convenceram de que eram autênticos, não haveria motivos para não os divulgarem.

E a prova de que fizeram o correto está no fato de que nem Sergio Moro, tampouco o MPF, contestaram os diálogos até agora apresentados.

Greenwald e a esquerda

Outro ponto a ser destacado é a autoria da denúncia. Um dos fundadores do site The Intercept – e subscritor dos textos sobre o vazamento – é Glenn Greenwald, o jornalista americano que revelou, em 2012, juntamente com Edward Snowden, o alcance das ferramentas de vigilância global dos Estados Unidos e que é apontado como responsável por disseminar, no exterior, a narrativa de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) teria sido um golpe.

Ele é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), que assumiu o mandato após a renúncia do então deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

A relação em nada diminui a gravidade das denúncias, mas talvez explique um certo viés pró-Lula nos textos até agora publicados.


2 pensou em “Vazamento do ‘The Intercept’ é duro golpe em Moro e Dallagnol, mas não inocenta Lula

  1. Gilberto, te informa melhor sobre o pessoal do Intercept. Aqui , não só no Maranhão, mas no Brasil, só se tem contato com o costumeiro jornalismo RASTEIRO, muito diferente daquele praticado em sociedades civilizadas. O Intercept e um SITE serio, gabaritado, composto por parte da nata do jornalismo dos USA. Os elementos altamente comprometedores que estão sendo PARCIOSIMONIAMENTE divulgados ,são só uma amostra do que vem por aí. Tudo bem, se a sociedade acredita ser normal essas aberrações, só resta a minoria esclarecida aceitar.

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