Convidados a sair do PRTB, vereadores reagem

De O Estado

Os vereadores que receberam anuência do PRTB no dia 10 deste mês para desfiliação da sigla questionaram a emissão das cartas de anuência pela diretoria do partido. Os parlamentares afirmaram que, antes da autorização para desfiliação, não foram consultados pela presidência.

A direção do partido, por sua vez, apontou que se “antecipou aos fatos” pois, de acordo com o PRTB, alguns dos vereadores há haviam informado que saíram da sigla. A O Estado, os vereadores Silvino Abreu e Genival Alves (eleitos em 2016 pela legenda nas últimas eleições municipais) confirmam a ausência de consulta. “Não fui procurado e sequer estava sabendo”, disse Silvino Abreu que não deu sinais sobre seu destino político.

Já Genival Alves adotou um tom mais neutro, confirmou o desconhecimento prévio do tema, no entanto, se esquivou quando questionado se desejava previamente sair dos quadros do PRTB. “O que sei é que algumas siglas me procuraram, não posso ainda dizer quais. Sobre o fato, não posso confirmar e nem desmentir se desejava sair do PRTB”, afirmou.

O vereador Ricardo Diniz afirmou que pediria para se desfiliar do PRTB, partido ao qual ingressou em 2018 após entrar em desacordo com a direção do PCdoB, que o questionou acerca da defesa da matéria que tratava da “Escola Sem Partido” na capital. Mas informou que não foi consultado para liberação de carta de anuência. “Já iria sair, apenas fizeram isso querendo se promover com o nosso nome”, disse.

Já Marcial Lima ratificou a versão dada por O Estado de que não fora consultado. Ele questionou a necessidade de liberação das cartas pois, pela legislação eleitoral, não era necessário o aval do PRTB. “Eu fui eleito pelo Patriota, e não pelo PRTB. Então, na verdade, nem precisava deste documento”, afirmou.

Até o fechamento desta edição, o vereador Gutemberg Araújo não respondeu sobre consulta prévia do PRTB para a divulgação das cartas. No fim do ano passado, o parlamentar foi indicado para presidir o diretório municipal do PSC onde, segundo ele, já trabalhava pela sigla.

O desencontro entre direção do PRTB e alguns parlamentares foi um dos temas que protagonizou a sessão de ontem na Câmara dos Vereadores. Marcial Lima, ao citar o Projeto de Lei nº 005 do Executivo, que prevê abono salarial aos professores da rede pública municipal, pontuou o assunto.

“Eu não fui expulso de partido, conforme foi dito em alguns blogs. Na verdade queria sair e saí, e já estou alinhado com o Podemos desde o fim do ano passado”, reforçou.

Além dos parlamentares citados, outros vereadores como Astro de Ogum (que está migrando do PL para o PCdoB) demonstraram “solidariedade” aos vereadores que questionaram a autorização partidária sem suas anuências.

Nós não faríamos isso se não tivéssemos esta certeza. Apenas o partido deu um passo na antecedência, até para facilitar o destino político dos mesmos”Wellington Luis de Albuquerque, presidente estadual do PRTB

“O partido fez aquilo que era natural do processo”, disse presidente

A O Estado, o presidente estadual do PRTB, Wellington Luis de Albuquerque, disse que o partido – pelo fato de liderar um processo de renovação de seus quadros – liberou os parlamentares para tomarem novos rumos. Segundo ele, a sigla tem como meta a inclusão de até quatro novos vereadores nos quadros da Câmara de São Luís a partir de 2021.

Segundo Wellington, todos os parlamentares, que receberam anuência, manifestaram desejo de sair. “Nós não faríamos isso se não tivéssemos esta certeza. Apenas o partido deu um passo na antecedência, até para facilitar o destino político dos mesmos”, disse citando o fim da janela partidária como justificativa.

O dirigente não quis polemizar com os vereadores e disse estar aberto a novos projetos. O PRTB tem pretensões de se posicionar no processo eleitoral deste ano na capital maranhense não somente no processo proporcional, como na majoritária. Apoios a outras siglas não estão descartados.


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