
A persistente superlotação dos hospitais de urgência e emergência de São Luís — conhecidos popularmente como Socorrões I e II — transformou-se no epicentro de um embate político e técnico sobre a gestão da saúde pública no Maranhão.
De um lado, aliados do ex-prefeito Eduardo Braide, incluindo o deputado estadual Fernando Braide e o ex-secretário municipal Dr. Joel Nunes, sustentam que cerca de 60% dos atendimentos nos Socorrões decorrem do fluxo de pacientes do interior do estado, cobrando a abertura irrestrita do Hospital da Ilha.
Por outro lado, o ex-secretário de Estado da Saúde, Tiago Fernandes, rebateu a tese de forma incisiva, classificando a justificativa como insuficiente e apontando graves falhas na Atenção Primária da própria capital como causa central do problema.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Fernandes propôs um debate técnico e transparente sobre a real porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS): as Unidades Básicas de Saúde (UBS). O ex-gestor argumenta que, ao falhar no cuidado preventivo de hipertensos, diabéticos, gestantes e crianças, o município empurra o cidadão diretamente para as redes de alta complexidade.
Fernandes revelou dados alarmantes do Ministério da Saúde que colocam São Luís em uma posição vergonhosa no cenário regional.
Segundo ele, São Luís tem a pior cobertura entre as capitais, com apenas 59,76% de cobertura de Atenção Primária à Saúde (APS), ocupando a última colocação entre todas as capitais do Nordeste.
Enquanto a capital amarga a lanterna regional, o Estado do Maranhão, atesta o ex-gestor, expandiu sua cobertura de APS de 2021 até o momento, alcançando 136,56% e subindo para a 3ª colocação no ranking regional.
“Dizer que os Socorrões estão lotados, exclusivamente, porque a população do interior do estado está vindo para a capital? Não cabe. O debate tem que ser responsável, tem que ser transparente”, disparou Fernandes.
O ex-secretário listou uma série de bairros populosos de São Luís que sofrem com a falta crônica de assistência médica básica e específica, incluindo: Sá Viana, Bequimão, Forquilha, Planalto do Pingão, Monte Castelo, Madre de Deus, Cohafuma e Cohama.
Hospital da Ilha
Outro ponto nevrálgico do embate diz respeito ao funcionamento do Hospital da Ilha. Críticos da gestão estadual, como Dr. Joel Nunes, cobram que a unidade funcione com “porta aberta” para desafogar os Socorrões.
Contudo, Tiago Fernandes trouxe bastidores técnicos que jogam a responsabilidade de volta para o colo da Prefeitura de São Luís.
Segundo ele, o Governo do Estado propôs formalmente o direcionamento do Hospital da Ilha para absorver e centralizar referências críticas que hoje superlotam os Socorrões: os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a ala de queimados.
A proposta, que aliviaria de imediato a pressão sobre as urgências municipais, teria sido rejeitada pela gestão Braide. “São Luís não aceitou. Foi proposto… São Luís não quis. Disse que queria para as áreas vascular e de trauma”, revelou o ex-secretário estadual.
