Aparte: os bastidores da Câmara de São Luís

CLIMA QUENTE

O clima esquentou na semana passada na Câmara de São Luís. Na última segunda (13), os vereadores discutiam a convocação do secretário Canindé Barros (SMTT) para a audiência pública que iria discutir o passe livre para estudantes quando os ânimos se exaltaram entre os vereadores Antônio Marcos, o Marquinhos (PRB) e Fábio Câmara (PMDB).

PIVÔ DA CONFUSÃO

O peemedebista defendia o posicionamento de que o secretário só deveria ir à audiência se todos os envolvidos no sistema de transporte estivessem presentes. Marquinhos, em contrapartida, afirmou que o colega recebia informações privilegiadas do secretário Canindé Barros. Câmara se defendeu e acusou o perrebista de ter um passado “duvidoso”. Foi então que os dois começaram um bate-boca. Para evitar a briga, vereadores acalmaram os ânimos.

FIM DA SESSÃO

Com a confusão entre os dois parlamentares, o vereador José Raimundo Alves, o Nato (PRP), membro da Comissão de Ética da Câmara, pediu encerramento da sessão. O presidente Pereirinha prontamente atendeu ao pedido e encerrou a sessão. Apesar da fatalidade, o vereador Nato afirmou que é normal que os ânimos se exaltem. “Esses fatos acontecem em todo lugar. Começando com uma discussão mais calorosa e alguém acaba se sobressaindo na discussão. Isso é normal”, declarou.

PARA NÃO REPERCUTIR

Na terça-feira (13), não houve sessão porque muitos vereadores esvaziaram o plenário para evitar que o assunto do bate-boca entre os dois parlamentares, divulgado até no Jornal Nacional, da Rede Globo, tomasse corpo e continuasse repercutindo. Sabendo que esse seria o principal assunto do dia, a Casa não alcançou o quórum regimental e poucos edis estiveram no plenário. E eles estavam certos, equipes de TV foram à Câmara justamente para repercutir a confusão.

AUDIÊNCIA DO PASSE LIVRE

Na quarta-feira (14), a Câmara de São Luís realizou uma audiência para debater a implantação do passe livre estudantil. Durante o evento, o secretário de Trânsito e Transportes (SMTT), Canindé Barros, apresentou aos parlamentares o tratamento que está sendo dado ao tema pelo município e convidou os vereadores a participarem do processo de discussão para definição do sistema.

PARCEIROS DE OCASIÕES

“Chegou o momento de voltarmos a discutir com a classe estudantil. Eles foram parceiros em diversas ocasiões na história desta cidade. A comissão que se forma aqui será de extrema importância para que possamos avançar em busca de um transporte de mais qualidade”, afirmou Canindé.

DEBATE É NACIONAL

O debate sobre a implantação do passe livre estudantil em todo o país tramita no Senado Federal em projeto de lei apresentado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os recursos para garantir a tarifa zero seriam oriundos do pagamento de royalties do petróleo, arrecadação esta com aplicação prevista para a educação.

SÃO LUÍS SAI NA FRENTE

O vereador Pedro Lucas Fernandes (PTB), autor da proposição, lembrou que o projeto nacional prevê a realização de audiências públicas. Com as sessões que estão ocorrendo, a capital maranhense sai na frente das demais cidades, e assim que os recursos forem garantidos pelo governo federal, o passe livre poderia ser implantado. “Precisamos aproveitar o momento em que o tema está sendo debatido pelo Congresso Nacional e poderemos ter o recurso do governo federal destinado exatamente para este fim. São Luís dá um grande passo para que a classe estudantil tenha este benefício garantido em um curto espaço de tempo”, declarou o parlamentar.

PAUTA TRANCADA

Essa semana a Câmara ainda não conseguiu destrancar a pauta de votações, que se encontra obstruída por causa de três vetos do prefeito Edivaldo Júnior, que tratam de considerar entidades como de utilidade pública. O mais polêmico de todos é o de número 241/13, de autoria do vereador Josué Pinheiro (PSDC), considerando de utilidade pública a Igreja Ebenézer.

CONFUSÃO E DESABAFO

O veto, por sinal, provocou uma confusão na semana passada. Durante a sua apreciação, o presidente da Casa, Isaías Pereirinha (PSL) assumiu a culpa pelo erro de digitação e a data incorreta levada à prefeitura (a entidade na realidade funciona desde 2007). Foi quando se iniciou um debate entre os vereadores Pavão Filho (PDT), José Joaquim (PSDB), Marlon Garcia (PTdoB) e o próprio Pereirinha. A solução encontrada não agradou a maioria, já que poderia comprometer a Igreja Batista Ebenezer. O resultado da confusão provocou um desabafo do decano Zé Joaquim (veja no vídeo acima).

ELES TAMBÉM QUEREM

Engana-se quem pensa que só existe vereador querendo embarcar nas ondas da eleição deste ano buscando alçar voos maiores. Na Câmara de São Luís, um assessor e um ex-diretor já sonham com a disputa. O ex-diretor geral Antônio Luís Costa, Cocoia, exonerado após o escândalo da agiotagem na Câmara, não abdicou de uma cadeira na Assembleia. E tem afirmado aos mais próximos que, mais do que nunca, vai precisar de imunidade parlamentar. Já Wellington Reis, assessor do vereador Lisboa (PCdoB), pretende entrar na disputa para substituir o chefe que, após ser acometido por um AVC, resolveu seguir a orientação dos médicos de evitar o estresse das eleições.

Um comentário em “Aparte: os bastidores da Câmara de São Luís

  1. Essa é a postura mesmo que a Smtt tem que ter: proporcionar abertura de diálogo aberto para, juntos, chegarem a um consenso, visando beneficiar a população, principalmente, a aqueles que precisam usar por mais vezes, o serviço público de transporte. Tenho certeza de que teremos bons resultados desse projeto.

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