Encontros e desencontros entre a política e o mercado: uma antropologia das ‘trocas’ no espaço do marketing político

A visão mercadológica da política

A representação mercadológica da vida política durante as eleições vê os adversários políticos como “concorrentes” disputando o mercado de eleitores (consumidores) com os mesmos métodos com que os fabricantes de sabonetes disputam o mercado. Trata-se de vender o produto (candidato) principalmente por intermédio dos meios de comunicação de massa, individualizando e tornando direta (sem mediações) a relação do candidato-produto com o eleitor-consumidor. Em síntese, uma “eleição é um grande processo mercadológico em que o candidato procura vender, passar as suas idéias, as suas propostas a um eleitor que vai comprá-las” (Cabral, 1998, p. 99).

Foi Philip Kotler (na época professor da Northwestern University), autor de Marketing para Organizações que não Visam ao Lucro (1978), um dos primeiros a dar forma a analogia entre democracia e mercado. Ele considera que a “troca” é o conceito central do marketing e que um profissional do marketing “é uma pessoa muito boa em compreender, planejar e controlar as trocas” (Kotler, 1978, p. 20). Vista assim, uma campanha política consiste numa troca entre candidatos e eleitores, em que o candidato se coloca no mercado de eleitores e emprega as modernas técnicas de marketing, especialmente a pesquisa de marketing e a propaganda comercial, a fim de maximizar a “aquisição” de votos. “Esquematicamente”, escreve Kotler (1978, p. 371), “os processos estruturais do marketing empresarial e do político são basicamente os mesmos. Ambos poderão ser analisados em termos da teoria de troca”. A figura a seguir, extraída do livro de Kotler, ilustra a referida analogia.

Baseado em estudos e pesquisas, o Publicitário e Especialista em marketing político Janderson Landim, frisa que através da pesquisa realizada em meados de 2018 a confiança do eleitor nos políticos vem caindo drasticamente, “Nós especialistas no marketing político, precisamos combater a chamadas Fake News, estou sempre abordando este tema em minhas palestras e sempre que me questionam como agir diante de mentiras e ataques, eu oriento a combater falando a verdade, maximizando o real e potencializando o que é verdadeiro, assim vamos conseguir melhorar este cenário que se mostrou nas últimas, eleições aqui no Brasil”.

Um estudo feito pelo INTC (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) mostrou que a maioria dos brasileiros não acredita mais nos partidos. O índice de sua aprovação, segundo a pesquisa realizada em 2018, é um dos menores da história: quase 80% dos entrevistados afirmaram não ter “nenhuma confiança” nessas instituições que são centrais na representatividade política.

O que fazer diante da situação atual?

O cenário para as aproximas eleições será o de maior emprego na mídia digital, esta modalidade de marketing vem crescendo muito, e o controle deste tipo de mídia é menos eficaz, porém o TSE e TREs, vem atuando e as empresas do ramo de marketing político, vem se comprometendo a ter muito cuidado antes de divulgar uma notícia ou uma matéria, isso por si já traz um grande avanço para a divulgação de novos conteúdos. “Esperamos uma melhor campanha no uso deste tipo de mídias em 2020, o fato é que todos perdem, temos que ter responsabilidade e nos comprometermos em levar a melhor informação, assim, eleitor escolhe bem, candidato que trabalha certo ganha e a mídia que usou os métodos corretos, por sua vez, também ganha credibilidade”, reforça Landim.


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