Duarte Júnior anuncia apoio a Hilton Gonçalo para o Senado

O deputado federal Duarte Júnior anunciou apoio à candidatura do ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo ao Senado. Em vídeo divulgado às vésperas do início da campanha eleitoral, o parlamentar apresentou o aliado como seu primeiro nome na disputa pelas duas vagas destinadas ao Maranhão.

Duarte, que buscará a reeleição para a Câmara dos Deputados, afirmou que seu projeto de concorrer ao Senado permanece “mais vivo do que nunca”, apesar de ter sido adiado neste pleito. Segundo ele, a escolha por Hilton está relacionada à atuação do ex-prefeito na área da saúde e à sua trajetória política.

“É o cara que luta pela saúde porque é médico, é ficha limpa. Quero anunciar para vocês Hilton Gonçalves, que foi o prefeito que transformou Santa Rita”, declarou Duarte.

Ao reforçar publicamente a decisão, o deputado afirmou: “Quem é Duarte Júnior? É Hilton Gonçalves pro Senado”. A manifestação representa um novo reforço para a campanha do ex-prefeito na corrida por uma das duas vagas em disputa.

Hilton agradeceu a adesão, disse estar “muito feliz e honrado” e avaliou que a entrada de Duarte no grupo fortalecerá sua candidatura. O ex-prefeito também declarou que pretende atuar no Senado por melhorias nas áreas de saúde, infraestrutura e geração de renda.

“Lá no Senado nós não vamos decepcionar os maranhenses”, afirmou Hilton. Os dois encerraram o anúncio reforçando a parceria com o lema: “Bora resolver!”.

Orleans Brandão recebe apoio de lideranças políticas em Carutapera

Orleans Brandão cumpriu agenda política em Carutapera, onde se reuniu com lideranças locais e da região para apresentar propostas e discutir a ampliação dos investimentos no município. Participaram do encontro o líder político Gabriel Amorim; a enfermeira Alexa; a ex-vereadora de Boa Vista do Gurupi, Seninha; a professora Marilene, suplente de vereadora; Agelino Moura Corrêa; o ex-vereador de Amapá do Maranhão, Pompeu; e o prefeito de Peritoró, Júnior.

Anfitrião do encontro, Gabriel Amorim explicou a decisão do grupo de apoiar Orleans e afirmou que a aproximação ocorreu após a avaliação das propostas apresentadas pelo candidato. “Eu assisti ao seu debate e disse: o mais preparado é Orleans Brandão. Ele me mostrou segurança e não atacou ninguém, porque política se faz assim. Política se faz mostrando propostas para o povo”, declarou.

Ao apresentar suas propostas para Carutapera, Orleans afirmou que pretende priorizar ações voltadas à geração de emprego e renda. Entre as medidas citadas estão a criação do programa Jovem Empreendedor, com a oferta de microcrédito para jovens interessados em abrir o próprio negócio, e a ampliação do ensino em tempo integral na rede estadual. “Quero colocar 50% das escolas do Estado do Maranhão em tempo integral. Vou fazer isso em apenas quatro anos e criar um programa que oferecerá microcrédito para a nossa juventude empreender”, afirmou.

Orleans também destacou o potencial econômico da região e defendeu que os novos investimentos sejam acompanhados pela qualificação e contratação da mão de obra local. “Hoje, passei por cidades que possuem um potencial gigantesco no garimpo e na mineração. Precisamos trazer esses empregos para esta região e garantir que a população local tenha acesso às oportunidades, sem depender apenas do poder público municipal ou estadual”, declarou.

Toffoli revoga liminar e restabelece cassação do prefeito de Nova Olinda

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revogou a liminar que mantinha nos cargos o prefeito de Nova Olinda do Maranhão, Ary Menezes Fernandes, e o vice-prefeito Ronildo Costa.

Com a nova decisão, proferida nesta sexta-feira (14), voltam a valer os efeitos do acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) que cassou os diplomas dos dois gestores.

A mudança ocorreu após recurso apresentado por Thaymara da Silva Amorim Muniz, autora da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). Ela contestou a decisão que havia suspendido a cassação até o julgamento definitivo do recurso especial pela Corte Superior.

Ary Menezes e Ronildo Costa foram condenados por captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico nas eleições de 2024. Além da cassação dos diplomas, a Justiça Eleitoral aplicou multa e declarou a inelegibilidade do prefeito pelo período de oito anos.

Inicialmente, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, havia concedido efeito suspensivo ao recurso apresentado pela defesa. Posteriormente, em 7 de agosto, Dias Toffoli ampliou a medida para manter suspenso o acórdão do TRE-MA até o julgamento definitivo do caso.

Ao reexaminar a controvérsia, porém, Toffoli reconheceu que a jurisprudência do TSE admite, em situações excepcionais, julgamentos realizados por tribunais regionais com o chamado “quórum possível”. O ministro também observou que um dos integrantes do TRE-MA estava impedido de participar do julgamento, circunstância que afastaria a exigência de presença de todos os membros da Corte.

O relator destacou ainda que o TRE-MA considerou robusto o conjunto de provas relacionado à compra de votos e ao abuso de poder econômico. Segundo a decisão regional, foram identificados depoimentos, registros audiovisuais e comprovantes de pagamentos, em uma eleição marcada por pequena diferença de votos.

Para Toffoli, a reversão das conclusões do TRE-MA exigiria uma análise aprofundada das provas, providência incompatível com o exame preliminar de um pedido cautelar. Ele concluiu que não estavam presentes os requisitos necessários para manter a suspensão da cassação.

“Dou provimento ao agravo regimental para reconsiderar a decisão agravada e, por conseguinte, indeferir o pedido de liminar para suspender os efeitos do acórdão regional até o julgamento do recurso especial”, decidiu.

O ministro determinou que o TRE-MA seja comunicado com urgência. O mérito do recurso especial apresentado pela defesa ainda será analisado pelo TSE.

Pedro Lucas comemora indícios de petróleo na Foz do Amazonas

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) comemorou, nesta sexta-feira (15), o anúncio da Petrobras sobre a identificação de indícios de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do litoral do Amapá. Para o parlamentar, o resultado reforça o potencial econômico da Margem Equatorial brasileira.

A presença de hidrocarbonetos foi detectada durante a perfuração de um poço exploratório do bloco FZA-M-59, a aproximadamente três mil metros de profundidade. Segundo a Petrobras, foi encontrado um composto orgânico que pode indicar a existência de petróleo, gás natural ou de ambos.

Defensor da exploração da Margem Equatorial na Câmara dos Deputados, Pedro Lucas afirmou que a descoberta representa um passo importante para o desenvolvimento regional.

“Como maranhense e defensor, na Câmara dos Deputados, da exploração na Margem Equatorial e do desenvolvimento da nossa região, comemoro esse passo importante. A Margem Equatorial pode ser uma nova fronteira de oportunidades para o Maranhão e para o Brasil”, declarou.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também avaliou o resultado com otimismo e afirmou que a estatal mantém o compromisso com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país.

A exploração da região, apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrenta resistência de ambientalistas, que alertam para possíveis impactos ao meio ambiente, à saúde humana e ao clima. A confirmação da existência de reservas comercialmente viáveis ainda depende de novos estudos e avaliações técnicas.

Alcolumbre destrava PEC do fim da 6×1 após conversas com Lula

Lula Marques/Agência Brasil

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 foi despachada, nesta sexta-feira (14), pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país”, informou, em nota, Alcolumbre.

A PEC estava na mesa do senador desde o final de maio, depois de aprovada na Câmara dos Deputados.

O presidente do Senado informou ainda que, a partir das conversas com o presidente Lula, encaminhou também para as comissões competentes a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) e o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PL 2780/2024), todos prioritários para o Executivo.

“Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país”, disse Alcolumbte na nota.

A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse que a decisão de Alcolumbre foi fruto do diálogo institucional.

“É uma demonstração importante de que o diálogo produz resultados e abre caminhos para fazer avançar uma agenda fundamental para o desenvolvimento do Brasil”, comentou Teresa Leitão.

Pressão
Esta semana foi a primeira de trabalhos deliberativos no Congresso Nacional desde a volta do recesso de julho. O MDB e o PT voltaram a pressionar Alcolumbre para que liberasse a PEC da escala 6×1 para análise.

Em nota, a bancada do MDB no Senado pediu a liberação para as comissões da PEC do fim da 6×1, do PL dos minerais críticos e a PEC da Segurança Pública.

O líder do partido no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), pediu a votação das matérias em sessão plenária na quarta-feira (12).

“Não há razão, portanto, regimental ou política, que justifique o adiamento. O que falta é a decisão de pautar, e isso é o que a bancada requer a V. Exa. Se há setores com especificidades – e entendemos que há -, vamos discutir e apontar soluções para estes setores”, cobrou Braga do presidente do Senado.

A PEC 221 de 2019 acaba com a escala 6×1 instituindo a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial.

A proposta permite compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais, mas mantendo o número de folgas remuneradas em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.

A proposta também estipula uma regra de transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da Administração Pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

Para todos os demais trabalhadores, em 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas terão que garantir a escala de 5×2, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais. Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.

Weverton nega envolvimento no caso Tech Office e diz que citação é “forçação”

O senador Weverton Rocha (PDT) negou qualquer envolvimento com os fatos investigados no chamado caso Tech Office. A manifestação ocorre após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de ações nas quais o nome do parlamentar aparece.

Um inquérito apura se o senador atuou para tentar obstruir as investigações de um assassinato ocorrido em 2022 no Maranhão. A suspeita é que ele tenha tentado influenciar o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Weverton ressaltou que, na época do episódio investigado, disputava o Governo do Maranhão e não integrava o mesmo grupo político das pessoas citadas no caso. “Eu era candidato a governador na eleição passada e nem parte do mesmo grupo eu fazia. Portanto, nada eu tenho a ver com essa situação”, declarou.

O senador também se pronunciou sobre referências a possíveis contatos com Martins. Segundo ele, as conversas ocorreram no exercício regular do mandato e fazem parte do diálogo institucional mantido por parlamentares durante a tramitação de projetos no Congresso Nacional.

“Todos do Congresso Nacional sabem que eu já fui relator de vários projetos. Obviamente, você sempre tem diálogo institucional dentro de gabinete”, afirmou.

Weverton acrescentou que uma eventual coincidência entre a visita do magistrado ao seu gabinete e algum dos fatos investigados não seria suficiente para vinculá-lo ao caso. Para o parlamentar, a tentativa de estabelecer essa relação constitui uma “forçação”.

Brandão reage a ações relatadas por Dino e fala em perseguição

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), manifestou-se nesta sexta-feira (14) após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de ações relacionadas à sua família e ao chamado caso Tech Office. Pelas redes sociais, Brandão classificou as acusações como falsas, denunciou uma perseguição e afirmou que deveria haver impedimento para o julgamento de quem é tratado como adversário.

“Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa. Vê-se a reedição do roteiro de um assassinato e muitas outras inverdades sendo propagadas contra mim”, declarou o governador.

Brandão afirmou ainda que a suposta perseguição teria começado em 2024, depois de ele rejeitar o que chamou de “propostas indecorosas”. O governador, entretanto, não detalhou quais teriam sido essas propostas nem identificou os responsáveis por elas.

“Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá”, completou.

A manifestação ocorreu após Dino tornar públicas 123 páginas de processos envolvendo investigações sobre o assassinato do empresário João Bosco, no chamado caso Tech Office, suspeitas relacionadas ao presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), Daniel Brandão, e a quebra do sigilo telefônico do senador Weverton Rocha (PDT).

Quaest: Lula tem 43% e Flávio Bolsonaro, 40%, em eventual segundo turno

Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14) aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República. Lula aparece com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 40%.

Nesse cenário, 13% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas. Outros 4% estão indecisos. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

A pesquisa também simulou confrontos de Lula contra outros três candidatos. Diante do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o presidente venceria por 44% a 37%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 14%, enquanto 5% não souberam responder.

Contra Renan Santos, do Partido Missão, Lula teria 44%, ante 36% do adversário. Nesse cenário, 16% votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 4% estão indecisos.

A maior vantagem de Lula ocorre na simulação contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O petista aparece com 45%, enquanto Zema alcança 34%. Brancos, nulos e abstenções somam 16%, e os indecisos representam 5%.

Contratada pela Globo em parceria com o jornal O Globo, a Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

O PÚBLICO E O PRIVADO – Por Merval Pereira

A controvérsia em torno da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes contra o jornalista maranhense Luís Pablo continua repercutindo nacionalmente. Em artigo intitulado “O público e o privado”, o jornalista e colunista de O Globo Merval Pereira faz duras críticas à atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso e alerta que a investigação sobre a origem de informações publicadas a respeito de Flávio Dino passou a representar uma ameaça à liberdade de imprensa.

O artigo surge na esteira de uma nova decisão do próprio Flávio Dino, que retirou o sigilo de investigações que miram o governador Carlos Brandão e integrantes de seu grupo político. A divulgação dos procedimentos expôs acusações graves apuradas pela Polícia Federal e ampliou o debate sobre os limites entre a proteção da vida privada de autoridades, o interesse público e o direito dos jornalistas de preservar suas fontes.

Leia a seguir o artigo:

O PÚBLICO E O PRIVADO – Por Merval Pereira

Uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.

A medida da decisão autoritária do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ordenar uma busca e apreensão na casa de um jornalista para descobrir a fonte da denúncia deste contra seu colega Flávio Dino é transformar um caso de política regional em crise institucional, afetando a liberdade de imprensa.

O ponto de partida é simples: nenhuma autoridade tem o direito de apreender celulares e computadores de jornalistas com o objetivo de descobrir quem lhes deu uma determinada informação.

Se considera tão grave o fato a ponto de se mover rapidamente para defender Dino, o Judiciário tem o dever de investigar, mas não pode avançar sobre a liberdade de imprensa, não importa que o jornalista maranhense seja corrupto — como acusam — ou que Dino não tenha cometido nenhuma ilegalidade.

Dino e sua família têm direito a usar carro blindado para ir à praia, pois são ameaçados? Basta rebater as acusações demonstrando que têm essa permissão. Podem também processar o autor da denúncia falsa. Nada além disso. Para defender seu colega de toga, Moraes, relator do inquérito das fake news, que já dura sete anos sem conclusão — o que pode demonstrar incompetência ou vontade de manter aberto um inquérito como a espada de Dâmocles sobre a cabeça dos opositores —, atravessou uma linha perigosa num país que lutamos para manter democrático, como o Brasil.

Tudo indica que a perseguição de que Dino se considera vítima tem a ver com o outro lado da mesma moeda, sua atuação como político. Ex-governador do Maranhão, ele está em disputa com seu grupo pelo poder político no estado.

Não há nada que envolva nessa disputa o STF, onde Dino assumiu o cargo depois de ser ministro da Justiça do governo Lula. Se é uma disputa de sua outra persona, de político, que deveria ter sido apagada no momento em que assumiu a cadeira no Supremo, Dino não poderia pedir apoio do tribunal a que pertence para perseguir seus adversários maranhenses.

Agindo com uma visão autoritária, Moraes afrontou uma pedra basilar do sistema democrático, a liberdade de informação, sem que fosse aberta uma investigação para definir se houve calúnia ou difamação no caso. Se houver, o jornalista pode ser processado por quem se considerou atingido, sem que a liberdade de imprensa seja aviltada.

Transformar o caso maranhense em crise nacional demonstra como os ministros do Supremo se consideram inatingíveis. Deixam de investigar o caso em si para investigar quem deu a informação, falsa ou verdadeira. A quebra de sigilo bancário do jornalista é um absurdo, vulnerável a enganos, como já aconteceu.

O caseiro Francenildo Costa, principal testemunha de acusação contra o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que frequentava a “casa do lobby” em Brasília, teve em 2006 seu sigilo bancário quebrado ilegalmente pelo presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso — a pedido do assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto. Foi descoberto um depósito de cerca de R$ 40 mil, que atribuíram a um suborno que o caseiro recebera para acusar Palocci. No entanto, depois ficou provado que o dinheiro fora enviado por seu pai biológico.

Os R$ 100 mil que a Polícia Federal diz ter encontrado na conta do jornalista podem ser mesmo fruto de suborno, como acusam. Mas a maneira como se chegou a essa conclusão fere os princípios democráticos.

Moraes perece ter passado por cima de alguns passos legais para saber quem foi a fonte do jornalista, e com que intenção. Pode ser tudo verdade, mas uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.

Após repercussão de ação contra jornalista do MA, Dino derruba sigilo de ações envolvendo família Brandão e Weverton

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (14) o fim do sigilo de processos relacionados à família do governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), ao senador Weverton Rocha (PDT) e às investigações sobre o assassinato do empresário Joao Bosco, no chamado caso Tech Office.

Entre os documentos liberados está a Petição 15.437, que trata do afastamento cautelar e de uma operação de busca e apreensão contra o agente da Polícia Federal Edivar Rodrigues dos Santos. Também foram tornadas públicas as petições 15.900 e 16.356, relacionadas ao homicídio de Pacovan e às suspeitas levantadas pelos investigadores sobre possíveis conexões do crime com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), Daniel Brandão.

Os processos ainda abordam a quebra do sigilo telefônico do senador Weverton Rocha, acusado pela Polícia Federal de envolvimento nos casos investigados. Outra ação liberada, a PET 154.438, reúne diversos fatos relacionados, incluindo suspeitas envolvendo emendas parlamentares e obstrução de Justiça.

Na decisão, Dino afirmou que as investigações apontam conexão entre os episódios. Segundo o ministro, o homicídio praticado em 2022 teria decorrido de atos de corrupção e desencadeado ações destinadas a impedir ou dificultar o trabalho investigativo e a atuação do Poder Judiciário.

Ao todo, foram retiradas do sigilo 123 páginas de processos.

A medida foi tomada em meio à repercussão negativa da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes para identificar fontes do jornalista maranhense Luís Pablo em reportagens sobre o suposto uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino.

A íntegra dos documentos pode ser acessada no blog do jornalista Marco D’Eça.