Até onde pode chegar Madeira?

O fato político da semana é a filiação do juiz federal aposentado Carlos Madeira ao Solidariedade e a confirmação da sua pré-candidatura a prefeito de São Luís.

Mas, a despeito da forte presença no noticiário nos últimos dias – algo natural dada a escassez de pautas em virtude do recesso parlamentar -, até onde, de fato, pode chegar o “ex-magistrado” nessa disputa?

Madeira é amplamente desconhecido do eleitorado maranhense. Para os entendidos de marketing político, esse é um dado bom. “Ninguém rejeita aquilo que não conhece”, dizem.

Nem sempre é assim.

No entanto, está claro que Carlos Madeira é pouco rejeitado e é, ainda, um produto bruto, pronto para ser lapidado.

É culto e parece preparado para um debate – se for incluído neles, o que dependerá do seu desempenho em pesquisas. Mas abusa do vocabulário rebuscado. Um discurso dele e nos “transportamos” facilmente para um comício qualquer do início da década de 80.

Precisa aproximar-se do povo pela linguagem também.

Terá como obstáculo, ainda, o fato de estar filiado a um partido comandado por alguém intrinsecamente ligado ao Palácio dos Leões, o secretário Simplício Araújo (Indústria e Comércio).

Digo obstáculo porque está claro que ele não terá qualquer apoio do governo Flávio Dino (PCdoB). O difícil será convencer o eleitorado disso, diante de ligação tão forte do homem que abonou sua ficha de filiação com os comunistas.

Nem tudo são problemas, contudo.

Ao longo de décadas de uma longa carreira jurídica, Madeira não tem nenhuma mácula de corrupção ou malversação de dinheiro público em seu currículo.

Também não se tem notícia de que tenha dado alguma decisão absurda, teratológica.

É um importante ponto de partida a ser explorado.

Em resumo: Carlos Madeira está longe de ser um candidato pronto, acabado. Mas, se estiver consciente dos seus pontos fracos, pode-se apresentar como um bom “produto” aos eleitores de São Luís em 2020.


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